Entrevista por Monsenhor René Laurentin

« Dos Rosa-Cruz até ao Cristianismo »

Entrevista de Fabiana Guerrero por Monsenhor Renato Laurentin.

No dia 30 de Abril de 2009, Sua Santidade o Papa Bento XVI promulgou: « Monsenhor René Laurentin, Prelado de Sua Santidade »

Entrevista do dia 20/01/2011

Fabienne Guerrero nasceu no dia 14 de Abril de 1964. De média estatura, morena de olhos azuis, veste-se com modéstia.

Ela conserva a precisão que ela cultivou na sua profissão de Secretária de Direcção, e o seu percurso contrastado é particularmente digno de atenção.

R.L.: A senhora abandonou as seitas por Cristo com uma lucidez notável. Conte-nos isso, por favor.

F.G.: Passei a minha juventude nas drogas, no álcool, nas discotecas, nos pecados da carne. Escutei músicas intrinsecamente más, visualizado maus filmes, praticado o espiritismo, a astrologia, a numerologia, a divinação, realizado estudos sobre a Nova Era e mantido contactos com um guru que me abriu dois chacras : o chacra do terceiro olho e o chacra do coração.

R.L.: Você também frequentou os Rosa-Cruz ou Rosacrucianistas. O que vem a ser isso ?

F.G.: Trata-se de um movimento esotérico. Fui iniciada na loja « Haroëris » (um deus ou divindade da Mitologia Egípcia) em Marselha, de Abril de 1995 até Março de 1997.

R.L.: Em que é que aquilo consistia?

F.G.: Aquando da primeira iniciação, ingressei na loja por um procedimento especial. Não posso detalhar para não me criar aborrecimentos.

R.L.: A senhora recebeu uma educação cristã?

F.G.: Sim. Fui baptizada no dia 3 de Maio de 1964. Fiz o percurso habitual: Catecismo, Primeira Comunhão, Comunhão Solene (Profissão de Fé).

R.L.: Em que altura começaram os seus contactos com os Rosa-Cruz?

F.G.: Em Julho de 1993, e deles me apartei  definitivamente em Março de 1997.Em fins de 1996, fiz uma primeira peregrinação a « Medjugorie » – Bósnia e Herzegovina.

R.L.: De que modo é que a senhora se desprendeu  dos Rosa-Cruz?

F.G.: Comecei a recitar o Rosário e consagrei-me ao Coração Imaculado de Maria. No dia 9 de Agosto de 1998, no decorrer de uma Missa, firmei um pacto de aliançacom Maria, Raínha Imaculada do Universo, na Fraternidade de Bois-le-Roi. Seguindo os conselhos do Céu, mandei celebrar Missas (vários conjuntos de trinta Missas) pela minha alma, a fim de recobrar a paz. Recebi numerosos sacramentos, inclusivamente a Unção dos Doentes, várias vezes, sem estar verdadeiramente doente fisicamente. O Padre Remels (Bélgica) realizou um corte  de laços com o esoterismo que eu tinha frequentado. Faço todas as manhãs a Via Sacra, seguida das Laudes e da Missa, na minha paróquia de Béziers.

R.L.: O que lhe traz a sua « Missa orquestrada » da manhã?

F.G.: Quando vejo o Senhor no momento da Elevação, ponho-me de joelhos e peço-Lhe que faça arder o meu coração junto ao fogo do Dele. Comungo sempre de joelhos e na boca. A Missa dá-me a força de me dar  e de O seguir.

R.L.: Você compreendeu que a união da vontade com Deus, o mesmo é dizer, a união de amor , é o essencial.

F.G.: Sim; o que conta para mim, reside  na intimidade profunda, dia após dia, com Jesus, na Sua Paz e na Sua Alegria.

R.L.: Sim, uma vontade que confere uma identificação à sua vida.

F.G.: Sim.

R.L.: Em que época começaram os seus desvios? Na sua infância?

F.G.: Na idade de 15 anos, iniciei a divinação, a astrologia e a numerologia.

R.L.: O que vem a ser a numerologia?

F.G.: É um conjunto de crenças fundadas na atribuição de propriedades a números. Procede-se ao estudo de um tema, com base na data do nascimento para situar-se numa conjuntura astral.

R.L.: Qual foi o resultado disso?

F.G.: Passei por três etapas cuja lógica eu buscava.

R.L.: E a Nova Era ?

F.G.: A Nova Era constitui uma corrente espiritual que não provém de Deus. Nesse movimento, nunca ouvi falar em Jesus Cristo, enquanto Filho de Deus. Aprendi que existia o « Divino ». O Divino é a mais elevada expressão da consciência cósmica, a vibração mais alta. Manifesta-se por modo de emanação na energia interior e cósmica. Coincide com o mundo e com o homem. O indivíduo pode afirmar: Deus está em mim; eu sou o meu criador. Numa palavra, tudo é um, tudo é energia, tudo é Deus. O Cristo da Nova Era que eu conheci não passa de um simples espírito que se manifestou em Buda e em Jesus de Nazaré. Não me era possível entrar em relação com um Deus Pessoal; eu não passava de uma simples onda do oceano cósmico. A minha salvação residia no conhecimento experimental da minha natureza pretensamente divina. Era necessário que eu me realizasse pessoalmente pela iluminação interior, as reencarnações, o domínio de si mesmo e, eventualmente, pela aquisição de poderes ao religar-me à energia divina que assegura a purificação e a harmonia consigo mesmo, com os outros e com o Universo. Eu bastava-me a mim mesma; eu não tinha necessidade de Revelação nem de Redenção, nem de qualquer ajuda exterior. Segundo a lei do Karma, eu devia reparar eu própria os meus próprios erros no decorrer de novas existências. A minha fé era a « gnose » (segredos reservados aos iniciados) e eu não rezava nunca. Eu nem sequer acreditava no pecado.

R.L.: A Nova Era é bem conhecida; ela apropria-se de todas as facetas da nossa cultura. Faz dela uma síntese brilhante, porém inconsistente, a qual seduz os seus adeptos, mas deixa-os frustrados. No que diz respeito aos « chacras », constituem sentidos desconhecidos no Ocidente, identificados por Indianos. Existem sete principais, desde o chacra-raíz (na base da coluna vertebral) até ao chacra-coroa que tem a sua sede no topo da cabeça. Isso submeteu-vos a todas as influências. Daí o vosso percurso desenfreado.

F.G.: A abertura dos chacras desviou-me da Fé e aberta a toda a espécie de aventuras heteróclitas que me destruíram.

R.L.: Esse guru queria abrir-vos  « para além » das nossas percepções vulgares.

F.G.: Durante um ano, assisti à suas sessões de espiritismo. Um dia, ele propôs-me de efectuar uma grande limpeza. Como eu acreditava na reencarnação, pensei que ele ia libertar-me do karma, isto é, das servidões das minhas vidas anteriores. Ele poisou a sua mão sobre o meu chacra do coração e sobre o meu chacra do terceiro olho simultaneamente e fez uma invocação numa língua que eu não entendi. Na subsequente sessão de espiritismo, a Kundaliní levantou-se. Tive muito medo porque ressentia uma grande força que me atravessava desde o chacra-raíz até ao chacra-coroa e que me fazia puxar para cima.

R.L.: Com tendência para a levitação, como costuma acontecer?

F.G.: Não, de modo nenhum; é pela cabeça que aquilo me puxava para o alto, sem atingir finalidade nem objecto.

R.L.: O que foi a fez evoluir?

F.G.: Nos finais de 1996, fui fazer uma primeira Peregrinação a « Medjugorie ».

R.L.: Qual foi a mudança que ocorreu em si naquele momento?

F.G.: Reencontrei em Medugorje o gosto pelos Sacramentos, apetência que eu tinha perdido desde a idade de quinze anos; redescobri o gosto pela Oração, especialmente o Rosário.

R.L.: Uma certa iluminação geral.

F.G.: Sim.

R.L.: Isso « abriu-a » a Cristo?

F.G.: Sim.

R.L.: Reconheceu então a senhora que isso provinha do Espírito Santo: Ele não se mostra; todavia, como os projectores que se encontram nas nossas costas durante os espectáculos, Ele alumia a cena : Jesus e a Sua Mensagem.

F.G.: Reconheci imediatamente  o agir do Espírito Santo.

R.L.: O Espirito Santo não nos instrui com vocábulos e com palavras, mas Ele nos dá a Sua Luz a fim de que nos apercebamos de Cristo e da sua Acção em nós.

F.G.: Tudo aceitei do Cristianismo. Investi-me nele activamente por meio do Apostolado. Escrevi cinco livrinhos alusivos à minha conversão. Eles obtiveram o « Imprimatur » ( A Autorização Eclesiástica) no dia 1 de Dezembro de 2009, e quatro foram editados pela Editora: « Téqui ».

– Deixei a Ordem da Rosa-Cruz / AMORC (Antiga e Mística Ordem da Rosa-Cruz).

– Astrologia ou Confiança em Deus.

– Deus libertou-me da crença na reencarnação (transmigração das almas).

– Jesus Misericordioso livrou-me do espiritismo.

– Jesus Misericordioso libertou-me da vidência.

R.L.: E os Rosa-Cruz, desapareceram do seu horizonte?

F.G.: Aderi à AMORC desde Julho de 1993 até Março de 1997 e acedi ao Sétimo Grau (7º Degrau) do Templo.

R.L.: Quantos Graus existem?

F.G.: doze, creio eu. Depois de Medugorje, escrevi ao « Imperator » (Grão Mestre) da Ordem, exprimindo o meu desejo de partir. Ele perguntou-me porquê e respondi-lhe:

– Para regressar na Igreja Católica.

R.L.: Os seus chacras ainda se encontravam abertos?

F.G.: Sim.

R.L.: Quem os fechou dentro da senhora? Pois não se abrem apenas para o Cristianismo…

F.G.: Um sacerdote cujo nome não me recordo fez uma Prece para o encerramento e tudo voltou à ordem.

R.L.: A senhora teve a sorte que, no que lhe diz respeito, tudo sucedeu tão depressa e tão bem.

F.G.: Sim, graças aos Sacramentos que tenho recebido todos os dias, pois muitos permanecem em dificuldade e, por vezes, morrem quando a Kundaliní acorda.

R.L.: Poderemos nós perguntar-lhe o que é a Kundaliní?

F.G.: Consiste numa poderosa energia que se encontra alojada no Osso Sacro. Ela acorda e sobe ao longo da coluna vertebral e trabalha de centro(s) em centro(s), até ao chacra-coroa (no cume da cabeça).

R.L: Isso ajudou-a  a usufruir de uma melhor receptividade em relação ao Cristianismo?

F.G.: Não directamente. Comencei a estudar a Bíblia, a Vida dos Santos, o Concílio Vaticano IIº, o Catecismo da Igreja Católica, e dava-me conta que isso era bom.

R.L.: Isso aproximava-a de Deus?

F.G.: Sim. Eu passava as minhas tardes numa igreja, em Marselha, para fazer a Via Sacrae para passar algum tempo com Jesus, e ouvi nessa altura uma Voz. Essa Voz saía do Tabernáculo e Jesus dizia-me: « Eu sou o teu único Mestre ».

R.L.: A senhora a ouviu  ou a percebeu interiormente, intelectualmente, como se diz?

F.G.: Eu ouvia-a como você próprio me fala.

R.L.: Ah sim. A senhora ouvia uma Voz?

F.G.: Sim. Uma Voz que provinha  do Tabernáculo. Uma Voz masculina, muito forte. Ela ressoava em mim. Isso aconteceu-me ainda outras vezes.

R.L.: Se o Espirito Santo não fala, Jesus, que se fez Homem, pode falar-nos por meio de palavras humanas.

F.G.: Jesus também dizia: « As minhas Chagas salvar-te-ão » porque ia tomar-me nas Suas Santas Chagas para salvar-me.

R.L.: As suas Chagas, os seus Sofrimentos e a Sua Morte, Ele vo-los terá feito partilhar ?

F.G.: Não. Ainda não. Pensei que me era necessário um Pai Espiritual.

R.L.: E a senhora o encontrou?

F.G.: Sim. O meu primeiro Pai Espiritual, um Padre Dominicano, discerniu que Deus me falava. Será isso normal, Monsenhor?

R.L.: Sim, absolutamente. A senhora teve a sorte de ter encontrado um sacerdote esclarecido.

F.G.: Expliquei-lhe que eu tinha um amigo e que vivia numa relação marital com ele desde 1994. Depois de Medugorje, nós fizemos um casamento civil no dia 6 de Setembro de 1997, mas nós não podíamos realizar o casamento religioso, na medida em que ele já tinha sido casado religiosamente, e depois divorciado.

R.L.: E a esposa dele continuava viva?

F.G.: Sim; ela o tinha deixado para um outro homem. Após o meu casamento (civil), no decorrer de uma noite, no meu quarto, Jesus veio visitar-me e pediu para lhe obedecer, de manter ambos os quartos separados ; depois, Ele disse-me: « Peço Reparação. O teu pecado ofendeu-me »; depois: « Quero-te corpo e alma ». O meu Pai Espiritual confirmou que era necessário viver em Castidade e Deus pediu-me de testemunhar da sua Misercicórdia. De regresso a casa, vivi (com o meu amigo) como irmão e irmã.

R.L.: Mas ele (o amigo) aceitou de viver esta nova situação?

F.G.: Ele sentia muitas dificuldades. Mas já que Deus exijia a Continência, obedeci-Lhe. Finalmente, no dia 14 de Dezembro de 2000, divorciei para seguir a Cristo pelo (no) mundo, pois Ele tinha-me dito: « Eu quero que tu me sirvas no (dentro do) mundo ». Depois de ter deixado a casa, estudei afincadamente a Fé Católica e, em inícios de 2003, criei uma rede de ícones peregrinos de Jesus Misericordioso, em obediência a um Padre Palotino (da Congregação dos Palotinos) de Osny (Val-d’ Oise – França), o Padre Eugénio, com quem trabalho sempre. Ele é o meu guia no que se refere à Misericórdia Divina.

Trata-se de fazer circular ícones nas famílias para o tempo de uma Novena, ícones que fabrico. Eles circulam hoje em diversos países, tais como: França – Guadalupe (Departamento Ultramarino Francês) – Martinica (Departamento Ultramarino Insular Francês) – Ilhas de « Les Saintes » – Ilha de « La Désirade » – Bélgica – Suiça – Luxemburgo – Portugal – Países Baixos – Africa – Itália – Espanha.

R.L.: São numerosos?

F.G.: Trata-se de uma vasta rede.

R.L.: Uma rede internacional.

F.G.: Sim, dirigida pelo Padre Eugénio.

R.L.: Não há Grupo de Oração?

F.G.: Não; não com esta rede.

R.L.: A senhora desempenha uma profissão?

F.G.: Sim. Secretária de Direcção bilingue. Parei após a Peregrinação a Medugorje a fim de consagrar-me inteiramente ao Apostolado.

R.L.: Você tem apenas 46 anos; não está a idade da reforma ; de que vive a senhora?

F.G.: A minha irmã (casada com dois filhos) empresta-me um apartamento e os meus pais alimentam-me. Recusei  o dinheiro que as minhas Editoras me propunham (as seguintes Editoras: « Téqui », « Parvis », « Rassemblement à Son Image »…).

R.L.: A senhora compra a sua roupa?

F.G.: Eu mendigo, porque disse-me Jesus: « Agarra-te à Pobreza ». « Não tenhas receio de mendigar ».

R.L.: A senhora vê-se sobrecarregada.

F.G.: Sim; por vezes, nem sei para onde virar a cabeça.

R.L.: A senhora vive à maneira de um profeta?

Fabienne Guerrero: Não. A Virgem Maria disse-me: « Não terás Mensagens (como os Profetas), mas permanece fiel ao meu Filho ». Ela fala unicamente acerca de mim.

O Padre René Laurentin: A senhora usufrui uma graça de excepção : Renúncia, luz e claridade. Seja fiel nisso. Não é assim tão fácil de perdurar .

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